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"Fajã dos Padres"

Na costa sul da Ilha da Madeira damos-lhe a conhecer a Fajã dos Padres, um pequeno e ainda pouco explorado paraíso. Acessível apenas pelo mar ou utilizando um elevador panorâmico, que acompanha a falésia e nos permite apreciar toda a costa sul da Ilha e o mar até onde a vista alcança. Ao chegarmos somos envolvidos pelos aromas e cores da magnífica plantação de frutos subtropicais que preenchem a fajã e pelo azul-turquesa do mar, que banha uma praia, exclusiva, de calhaus rolados e cuja água transparente e morna convida irresistivelmente a mergulhar. Com as antigas edificações correctamente recuperadas, um agradável restaurante e um solário soberbo, estão criadas as condições para usufruirmos dos prazeres da gastronomia típica da região, da flora riquíssima, do mar envolvente e sobretudo da tranquilidade em comunhão com a natureza.

A Fajã dos Padres tem a forma de uma pequena língua de terra, sob uma falésia de aproximadamente 250 m de altura, situada na costa sul da Ilha da Madeira. Constituindo este rochedo uma enorme barreira a norte, a Fajã abre-se para sul, permitindo o acesso fácil ao mar através de uma praia estreita de calhau, que forma uma pequena baía ao centro. Cultivada desde o início do povoamento da Ilha da Madeira, a história da Fajã dos Padres acompanha a história da própria Ilha, existindo inúmeros registos e referências aos proprietários, às colheitas agrícolas e aos próprios habitantes do local, desde o séc. XV. O nome da Fajã deve-se ao facto de ter pertencido aos padres da Companhia de Jesus, durante mais de 150 anos. Na sua passagem pela Fajã dos Padres, os Jesuítas deixaram marcos notórios, dos quais se destacam, sem dúvida, a introdução do vinho malvasia, o príncipe de toda a produção de vinho Madeira, um vinho cuja reputação ultrapassou as fronteiras de Portugal. O microclima da Fajã dos Padres favorece o cultivo de espécies subtropicais, algumas das quais dificilmente adaptáveis à maioria dos restantes locais da Ilha da Madeira. Manga, abacate, banana, vinha, e em menor quantidade um vasto conjunto de frutos exóticos como a papaia, a pitanga, o araçal, o figo, o maracujá, o tabaibo e até a lichia, enchem a Fajã de cores e aromas tropicais.

As condições naturais da propriedade em termos de localização e clima, de herança histórica, ou de agricultura, tornaram a opção pela criação de uma pequena unidade de turismo quase natural. Actualmente, conta com um simpático restaurante, e com quatro pequenas casas recuperadas. O acesso à Fajã dos Padres é feito apenas por mar ou utilizando um moderno elevador panorâmico. São cerca de 250 metros, vividos em 4 minutos de viagem descendente, acompanhando a encosta da enorme falésia até quase ao nível do mar. O elevador possui uma janela panorâmica que permite apreciar cada momento da descida; admirar a costa sul da Ilha da Madeira até à Ponta do Sol, a pequena baía da Fajã que se aproxima, ou simplesmente o mar, até onde a vista alcança.
A praia não é vigiada. Contudo, é uma praia sedutora, pelo acesso fácil ao mar na zona desde o cais até ao final da baía e pela temperatura amena das águas do mar durante todo o ano. A transparência das águas e a variedade de espécies junto à costa convidam ainda à prática de mergulho. Junto ao cais foi criado um espaçoso solário. No verão, um conjunto de espreguiçadeiras e guarda-sóis aguardam pelos banhistas que preferem gozar a praia em pleno, com todo o conforto.

O restaurante serve uma selecção cuidada de pratos com origens na cozinha regional Madeirense, donde se destacam os pratos de atum, e de outros peixes frescos, e as sobremesas e acompanhamentos confeccionados com frutos produzidos na propriedade. O vinho de malvasia cândida da Fajã dos Padres faz as honras da casa, como aperitivo. Não deixe também de provar o vinho de mesa corrente produzido localmente, para acompanhar a refeição. O ambiente é obrigatoriamente descontraído, e mesmo quando a ocupação se aproxima do limite, é a calma da paisagem circundante que prevalece. Percorra o passeio marginal, desde o restaurante até à casa do Barco. Acompanhe os pomares de mangueiras, pereiras abacateiros, até ao início do bananal. Todo o caminho é habilmente coberto por uma latada de vinha malvasia, porque o calor no verão não perdoa... Descubra no final do percurso um conjunto de pitangueiras, carregadas de fruto várias vezes no ano.

Para gozar realmente um dia na Fajã dos Padres, não pode perder o pôr-do-sol. É um momento especial, quando o vento cai, as andorinhas não dão descanso nos seus voos cruzados, e o sol se perde no horizonte, sobre o mar. Algumas das antigas edificações da Fajã dos Padres foram recuperadas e adaptadas para uso turístico. Descubra, e encante-se com detalhes particulares de cada uma das pequenas casas agora recuperadas... Goze os calmos serões de verão ao ar livre, e com sorte, apenas sob a luz da lua. Oiça o estranho cantar das cagarras, uma ave marinha nocturna que faz ninho ao longo da falésia. E durma embalado pelo som das ondas do mar a embaterem nas rochas da praia.

 
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