VIAGEM AO REINO DA RECONQUISTA
15 a 20 de Abril 2018

Denomina-se de Reconquista o período entre o século VIII e XV (1492) em que os reinos cristãos da Península Ibérica procuravam recuperar o controlo do território, dominado pelos árabes e batizado de Al-Andaluz. A invasão dos mouros dá-se no início do século VIII durante o Calificado de Omíada*, após anos de tentativas de entrada no sul da península.

A origem da escalada do conflito não é consensual. Há quem atribua a invasão ao conflito interno que existia no reino visigótico, que constituía grande parte do território. Este conflito opunha duas fações que surgiram após a morte do rei Vitiza. De um lado estava o rei Rodrigo apoiado pela maioria da corte, e do outro Agila II, filho de Vitiza que se oponha ao sucessor do pai. Como vingança Ágila estabeleceu uma aliança com o governador muçulmano de África, Muça Ibne Noçair, para que este facilitasse a entrada das tropas muçulmanas em Ceuta.

Noutra outra versão da história, ligeiramente mais romanceada, afirma-se que a invasão árabe resultou de uma vingança do Conde Julião, governador de Ceuta, que em resposta à desonra da sua filha, resultado dos avanços menos próprios do rei Rodrigo, permitiu a entrada dos mouros em território visigótico.

A entrada das tropas árabes na península deu início à Batalha de Guadalete, em 711, resultando na derrota do visigodos e consequentemente a um período de conquistas e avanços por parte dos mouros, que apenas foram travados no norte da península (Astúrias) por Don Pelayo (Pelágio), em 722, na Batalha de Covadonga.

Consequência da formação do Reino das Astúrias

A Batalha de Covadonga viria a ser o primeiro passo para a Reconquista. O pequeno território conquistado por Don Pelayo aos muçulmanos foi denominado de Reino das Astúrias, com Cangas de Onís a ser a primeira capital do reino (posteriormente a capital passou para Oviedo e León).

O movimento da reconquista neste território teve como protagonistas os reis Don Pelayo, Afonso I, Fruela I, Afonso II e Afonso III, que se revelaram verdadeiros exemplos de resistência, conquistando cada vez mais territórios aos muçulmanos e protagonizando históricos conflitos.

Um exemplo destes confrontos foi o famoso saque realizado pelas tropas asturianas a Lisboa (território árabe) em 728, no reinado de Fruela I.

O progressivo avanço das tropas cristãs resultou na criação de novos reinos (Reino de Portugal e Reino de Castela) impossibilitando a ocupação muçulmana no norte da Península Ibérica.

O cariz cristão e a ideia da reconquista através da expansão da fé cristã em oposição à crença muçulmana surge apenas na época das Cruzadas em 1096, após quase metade da península ibérica ter sido reconquistada pelos reinos que se foram formando.

Este conflito que durou cerca de oito séculos chega ao fim em 1492 com a tomada do reino muçulmano de Granada pelos reis católicos. Em Portugal, a reconquista terminou antes, em 1249, com a conquista da cidade de Faro pelas tropas de D. Afonso III de Portugal.

*Regime monárquico islâmico de cariz imperialista e política expansionista.

15 de abril | domingo

- 16h30 - Saída de Lisboa (Aeroporto Humberto Delgado)
- 19h20 - Chegada a Oviedo (Aeropuerto de Asturias)
- 21h30 - Chegada ao Hotel em Gijón
- 22h00 - Jantar no Hotel

16 de abril | segunda-feira

- 08h30 - Saída do Hotel
- 09h45 - Visita a Gijón (Praia de San Lorenzo e Termas Romanas de Campo Valdés)
- 10h30 - Saída para Oviedo
- 11h15 - Visita às Igrejas de Naranco(Igreja de San Miguel de Lillo e Igreja de Santa María del Naranco)
- 13h30 - Almoço em Oviedo
- 16h00 - Visita à Catedral de Oviedo
- 17h00 - Saída para Cangas de Onís
- 18h30 - Chegada ao Hotel em Cangas de Onís
- 20h00 -
Jantar no Hotel

Campo Valdés Igreja de San Miguel de Lillo Catedral de Oviedo

Termas Romanas de Campo Valdés: As ruínas das termas romanas de Gijón foram inseridas num museu em 1995. Esta construção localizada no coração da cidade, perto da costa, foi concebida, tendo como principais objetivos a preservação, investigação, divulgação e apresentação didática dos vestígios recuperados em escavações arqueológicas. O museu apresenta-se dividido em duas áreas: a seção introdutória, com projeção de textos e imagens, oferece uma visão completa das termas romanas, a sua história e funcionamento dos banhos públicos em Gijón; e a seção onde se encontram os vestígios arqueológicos, em que percurso é realizado através de uma passagem que reproduz a circulação interna nas termas, onde se pode observar as suas divisões originais. Os vestígios arqueológicos em exposição permitem ao visitante conhecer as técnicas de construção, a vida quotidiana, assim como flora e fauna do deste período da história.

Igreja de San Miguel de Lillo: Dedicada a São Miguel Arcanjo, foi construída em 842 no reinado de Ramiro I. Está localizada a poucos metros da Igreja de Santa Maria del Naranco. Em 1985 foi declarada Património da Humanidade, pela Unesco. Em 2009 foi feito um alerta para o iminente colapso da estrutura e deterioração quase irreparável das pinturas, devido à humidade. Em 2011 foram realizados obras de recuperação.

Igreja de Santa María del Naranco: Antigo palácio localizado na encosta sul do Monte Naranco. Construída em 842, originalmente não foi desenhada para ser uma igreja, mas sim um pequeno palácio na periferia da capital do reino das Astúrias. Supõe-se que se tenha tornado igreja no século XII. Dentro das construções do pré-românico o seu estilo artístico é denominado de arte asturiana ou “ramirense”.

Catedral de Oviedo: A Catedral de Oviedo tem origem na Basílica de San Salvador, mandada construída pelo rei Afonso II (791-842), sob as ruínas de uma igreja edificada em 765, no reinado de Fruela I e posteriormente destruída em 795 pelos árabes. Com o passar dos anos a Basílica de San Salvador foi crescendo acabando por “absorver” outras construções edificadas por Afonso II, como o palácio real e a igreja de Santa Maria. A capela palatina é a parte mais antiga do edifício. Apesar da transferência da corte para León foram muitas as doações feitas por sucessivos monarcas para a Basílica de San Salvador, reconhecido local de peregrinação durante a Idade Média. A construção da catedral é iniciada apenas no século XIV. O estilo gótico da nova construção acaba por prevalecer sob os vestígios do românico da basílica, no entanto a catedral caracteriza-se pelas várias influências arquitetónicas. A construção durou quase três séculos, sendo concluída no século XVI.

Cangas de Onís: Município da comunidade autónoma das Astúrias, no norte de Espanha, destaca-se pela riqueza do seu património natural, histórico e cultural. A cidade de Cangas de Onis foi capital do reino das Astúrias até 774. Foi aqui que Don Pelayo se estabeleceu, encabeçando o único foco de resistência ao poder muçulmano no norte de Espanha depois do desaparecimento do reino visigodo. A região foi palco de uma batalha decisiva para o período da Reconquista. Em 722, Don Pelayo derrotou as forças muçulmanas na Batalha de Covadonga, consolidando o poder e prestígio que lhe permitiu formar o primeiro reino cristão depois da derrota dos visigodos. Mais de 2.000 hectáres da região pertencem ao Parque Nacional de los Picos de Europa, a beleza natural com que brinda o visitante é simplesmente excecional. É dentro da área do parque que se pode visitar o conjunto monumental de Covadonga e os seus famosos lagos (Enol, Ercina e Bricial.

17 de abril | terça-feira

- 09h00 - Saída para Covadonga e Lagos
- 13h30 - Almoço em Cabrales
- 15h00 - Visita às Covas de Queijo Cabrales
- 18h00 - Passeio por Cangas de Onís com visita a igrejas do Pré-Românico
- 20h00 - Jantar no Hotel
em Cangas de Onís

Basílica del Santuario de Covadonga Covadonga Covas de Cabrales

O Real Sitio de Covadonga é o conjunto monumental que apresenta um santuário dedicado à Virgem de Covadonga (La Santina) e à Batalha de Covadonga. Aqui poderá visitar:

Santa Cueva de Covadonga: Elemento central do Santuário La Santa Cueva é um pequeno santuário onde pode ser vista a imagem da Virgem de Covadonga e o túmulo de Don Pelayo e Afonso I do Reino das Astúrias. Segundo a tradição foi neste local que Don Pelayo e as suas tropas se refugiaram durante a batalha de Covadonga.

Mosteiro San Pedro: Situa-se junto à La Santa Cueva. Habitado por uma comunidade católica, serve para o exercício de atividades de cariz espiritual.

Basílica de Nossa Senhora de Covadonga: Desenhada por Roberto Frassinelli e construída entre 1877 e 1901 pelo arquiteto Federico Aparici e Soriano, apresenta um estilo neo-românico construído inteiramente em pedra calcária rosa.

No Real Sitio de Covadonga pode ainda visitar-se um museu, a estátua de Don Pelayo, construída em 1964 e ainda La Campona, um sino com cerca de três metros de altura e 4000 kg, construído em 1900.

18 de abril | quarta-feira

- 10h00 - Saída para San Vicente de La Barquera
- 11h00 - Visita a Comillas
- 12h00 - Almoço em Santillana del Mar
- 15h00 - Passeio por Santillana del Mar
- 16h30 - Visita ao Museu de Altamira
- 20h00 - Jantar no Hotel em Cangas de Onís

Palacio de Sobrellano, Comillas Santillana del Mar Museu de Altamira

San Vicente de La Barquera: Este impressionante município do litoral ocidental da Cantábria oferece, a quem o visita, uma privilegiada vista sob o mar cantábrico, deixando compreender a sua forte influência nas tradições, costumes e festas populares desta região. A grande beleza natural e a riqueza do seu património cultural, que ocupa cerca de 80% do território, atrai anualmente milhares de turistas, fazendo do sector a principal atividade do município. A região pertence ao Parque Natural de Oyambre e beneficia de uma proteção especial, devido a sua extraordinária paisagem de grande valor ecológico), regulada pela comunidade autónoma da Cantábria.

Comillas: Conhecida pelas suas construções medievais e barrocas, sendo também um dos poucos lugares (além da Catalunha) onde se pode testemunhar a intervenção de artistas modernistas, visível em várias obras da cidade. Comillas também dá nome à Universidad Pontificia Comillas, sediada originalmente nesta cidade cantábrica até à sua transferência para Madrid. Os antigos edifícios universitários são um dos melhores exemplos do modernismo na localidade, sendo atualmente o campus da Universidade de Cantábria. O seu património natural inclui belíssimas praias de areia fina e dourada, inúmeras falésias e várias espécies de árvores que se encontram no Monte Corona.

Santillana del Mar: Santillana del Mar é uma cidade localizada na costa ocidental. É popularmente conhecida por la villa de las três mentiras, devido ao ditado popular que diz que a região “ni es santa, ni llana, ni tiene mar”. Santillana del Mar pode não ser santa mas do seu património consta a Igreja de Santa Juliana, considerada a joia mais importante da arquitetura românica na Cantábria. Neste local pode ainda ser vista a magnifica Cueva de Altamira e as suas pinturas rupestres, exemplo de extrema relevância da expressão artística do homem paleolítico. Esta “Capela Sistina da Arte Rupestre” foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO, em 1985. Santillana del Mar pertence ainda à rede das Aldeias mais bonitas de Espanha.

19 de abril | quinta-feira

- 09h00 - Saída para Parque Natural de Ponga nos Picos da Europa (Astúrias)
- 14h00 - Almoço em Ponga
- 20h00 - Jantar no Hotel em Cangas de Onís

Ponte romana Parque Natural de Ponga

Parque Natural de Ponga: Situa-se no norte de Espanha, na área central da cordilheira Cantábrica entre o Parque Nacional dos Picos da Europa e o Parque Natural de Redes. Esta área protegida de mais de 20 hectares ocupa grande parte do concelho de Ponga, apresentando um forte relevo do qual se destacam montanhas rochosas e estreitos desfiladeiros. Fauna e Flora: O parque natural apresenta uma vasta quantidade de florestas. Aqui poderá encontra exemplares de: Taxus, Carvalho, Vidoeiro-branco, Bétula, Amieiro entre muitos outros. Relativamente à vida selvagem, esta área natural conta com a presença da maioria das espécies pertencentes à montanha asturiana. Mamíferos como o urso pardo, veados, cabra-montesa e o javali cantábrico ou aves como a águia-real, o abutre do Egipto ou ainda o Tetraz-grande cantábrico podem ser vistos e apreciados neste local.

20 de abril | sexta-feira

- 10h00 - Saída do Hotel
- 11h00 - Visita a uma fábrica de sidra
- 13h00 - Almoço numa Sídreria
- 16h00 - Visita ao Museo de la Minería y la Industria de Asturias
- 18h30 - Partida para Lisboa (Aeropuerto de Asturias)

Sídreria Sidra Museo de la Minería y la Industria de Asturias

Museo de la Minería y la Industria de Asturias: O Museo de la Minería y la Industria de Asturias situado na cidade de El Entrego, em San Martín del Rey Aurelio foi construido em 1994, nos terrenos da icónica mina de San Vicente, na área denominada El Trabanquín, no coração da região carbonífera de Nalón. A construção deste museu teve como missão responder à necessidade social de preservar os restos dos materiais que constituem a identidade das bacias sedimentares, num tempo marcado pelo abandono da exploração mineira, que outrora fora o sustento de grande parte do povo, perdendo importância com o declínio do sector industrial.