Entrevista a Hélder Ferreira ao jornal Publituris

A Progestur dedica-se a projectos de turismo cultural, de formas muito diversificadas e que tem no conceito ibérico o seu principal plano de actuação.

Procuramos a abordagem do património cultural, para um turismo sustentável, viabilizando territórios menos desenvolvidos, mas também qualificando e diferenciando os nossos principais destinos e produtos turísticos. O desafio não é fácil, pois de um modo geral os agentes económicos públicos e privados continuam muito virados para modelos de negócio baseados em valores genéricos e produtos turísticos de fraca riqueza de atributos. E existe algum preconceito, mesmo das entidades públicas, relativamente à cultura popular e às nossas raízes mais profundas. Apesar de termos um património vasto e preservado, fruto do trabalho principalmente pelos agentes locais e regionais, a verdade é que se arrisca pouco na sua aplicação em novas fórmulas de negócio. Vejam-se os hotéis que pouco olham em seu redor, além das suas portas, quando ai teriam excelentes factores de competitividade. Ou um vasto campo de actuação para a inovação e para o empreendedorismo. Mesmo os eventos, concentramo-nos em marcas importadas, principalmente do desporto e dos espectáculos, e na cultura popular pouco se trabalha.

Para entender isto, basta olhar o exemplo de Espanha, que a Progestur conhece bem. A sua imagem é marcada fortemente pela sua identidade cultural. São vários os exemplos de eventos como a Festa de San Fermín, em Pamplona, ou a Semana Santa em Sevilha, perfeitamente qualificadas e estruturadas como produto turístico, com capacidade de atrair visitantes de todo o mundo.

É isso que falta em Portugal, maior integração dos recursos endógenos, da cultura popular, dos produtos tradicionais. Às experiências turísticas, falta-lhes crescer em atributos, baseados na história, na identidade portuguesa, nas agro-industriais, na gastronomia e nas nossas artes e tradições, entre outras. E conjugar com as abordagens modernas, do design, da moda, das artes e outras, promovendo a cooperação entre sectores.

Um exemplo dessa abordagem é o nosso trabalho nas máscaras e seus rituais, onde Portugal tem uma grande riqueza, desconhecida por muitos. A mesma máscara portuguesa que, curiosamente, é conhecida lá fora, pelos mais importantes espaços museológicos internacionais. Este é o principal projecto da Progestur, realizado em parceira com a Câmara Municipal de Lisboa e a EGEAC, o Festival Internacional da Máscara Ibérica, que vai na IX edição e vem concretizando um elevado potencial económico, comprovado no nosso site www.progestur.net.

Fica o desejo de que a Classificação das Festas e Romarias, mereça a atenção das autoridades portuguesas. Acreditamos que seria uma forma de as valorizar do ponto de vista económico e turístico e torná-las uma mais-valia sócio-económica para o País.

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