Entrevista a Antero Neto, Autor "Rituais com Máscara - Mogadouro"‏

Estivemos à conversa com Antero Neto, autor dos textos do livro dedicado ao município de Mogadouro, da coleção “Rituais com Máscara”. Descubra mais sobre a relevância das festas tradicionais e os seus rituais.

Q: O que o fez aceitar este desafio para participar na coleção “Rituais com Máscara”?

R: Aceitei o desafio devido ao meu interesse nesta temática que já vem desde a minha infância, pois nasci em Bruçó, concelho de Mogadouro, que tem uma dos mais emblemáticos rituais do género: a festa dos “Velhos”. Sou investigador desta área e já tenho algumas obras publicadas. A participação neste projecto permitiu-me juntar o útil ao agradável, pois proporcionou-me o contacto com outros investigadores e o consequente alargamento de horizontes.

Q. Qual a relevância destas festas tradicionais nestes municípios?

R: Estas festas tradicionais são extremamente importantes, pois representam uma fatia importante do património local e constituem um factor de diferenciação em relação à constante globalização a que vimos assistindo, permitindo chamar para cá visitantes que buscam conhecer aspectos únicos da cultura local.

Q: Qual a importância dos rituais e ritos como fator que diferencia o significado de cada máscara?

R: Os rituais representam a idiossincrasia de uma determinada comunidade. As máscaras são uma parte inalienável desses ritos, mas as festividades e a sua simbologia não se esgotam apenas nesse pormenor, pois a vão muito mais além. As máscaras permitem diferenciar uns rituais dos outros, mas as características básicas são muito idênticas, nomeadamente a sua associação aos ciclos agrários e à fertilidade.

Q: Porque se revela importante a preservação destes rituais em que a máscara aparece como um dos principais símbolos?

R: Porque nessa preservação reside a subsistência da identidade colectiva de uma determinada comunidade ou região. Os rituais com máscara são fundamentais para a percepção dos valores radicais de uma comunidade, permitindo recuar à sua essência primígena. As máscaras são apenas uma parte desses rituais, que nos permitem descodificar os valores ancestrais que presidiram à sobrevivência e manutenção dos grupos num determinado espaço geográfico.
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