Entrevista a José Luís González Prada, Secretário-Geral da Fundação Rei Afonso Henriques
Por André Lopes

Q: Quem é a Fundação Rei Afonso Henriques e qual o seu papel na cultura?

R: A Fundação Hispano-Portuguesa Rei Afonso Henriques é uma instituição privada com participação pública, criada no ano de 1994 que tem como objectivo principal contribuir para o desenvolvimento económico, social e cultural do Vale do Douro, em primeira instância, aprofundando as relações entre Espanha e Portugal e potenciando no fundo a cooperação transfronteiriça e inter-regional entre os dois países ibéricos. Neste âmbito, a fundação acumula uma ampla experiência e um grande volume de trabalho ao nível institucional, educativo e empresarial, que se materializa em várias iniciativas destinadas a enriquecer e potenciar o território alvo da sua actividade.

Um dos eixos de actuação de especial significado para a Fundação Rei Afonso Henriques é o cultural, de onde que a sua tarefa se tenha centrado, nestes anos, no desenvolvimento de diferentes acções e projectos orientados para o contributo na divulgação da cultura e do património histórico-artístico das regiões fronteiriças e, em geral, de Espanha e Portugal.

No âmbito empresarial, a finalidade da Fundação Rei Afonso Henriques é potenciar ao máximo o papel das empresas na sua área geográfica de influência e, neste sentido, a sua vocação é tornar-se um órgão de gestão de projectos empresariais que têm como finalidade a criação de capacidade competitiva inter-regional a partir do fortalecimento do tecido industrial e da base produtiva, o estabelecimento de uma estrutura de cooperação e apoio destinada a facultar às empresas o conhecimento da realidade empresarial assim como promover e desenvolver contactos entre o sector empresarial espanhol e português.

Na área educativa, a Fundação trabalha na organização de cursos e seminários, elaboração de publicações, realização de reuniões científicas, e outras iniciativas que visam a aproximação da realidade hispano-portuguesa.

Por último, no âmbito institucional, a Fundação Rei Afonso Henriques também realizou e apoiou diversos encontros, jornadas, seminários e intercâmbios entre pessoas e instituições públicas e privadas, a fim de contribuir para um maior conhecimento dos múltiplos vínculos existentes entre Espanha e Portugal.

Q: Como se liga ao Turismo Cultural?

R: O nosso trabalho no âmbito cultural é muito vasto. De facto, nesta matéria a Fundação realizou projectos culturais de relevo, tais como a publicação da obra “El Patrimonio Histórico en el rio Duero”, o Projecto “Duero, Aguas Discursivas”, seleccionado e co-financiado pela União Europeia no âmbito do Proframa Cultura 2000, destinado a promover a arte e a cultura espanhola e portuguesa ao longo da margem do Douro, o Ciclo de Concertos de Fados, consolidado já em várias edições, e outras acções como representações teatrais e várias exposições de diferentes temáticas e conteúdos. A ideia fundamental de todas estas iniciativas consiste em destacar o enorme valor cultural, patrimonial e turístico que conserva a região sobre a qual incide a nossa actividade.

Q: Sabemos que tem desenvolvido projectos de cooperação com Portugal. Fale-nos um pouco sobre isso.

R: Ao longo do seu já dilatado percurso, a Fundação Rei Afonso Henriques desenvolveu numerosos projectos tendo em vista atingir essa finalidade. Neste momento, promove vários destinados a fomentar a cooperação empresarial e educativa entre Espanha e Portugal, aprovados no âmbito da Iniciativa Comunitária Interreg IIIA, instrumento da política regional da União Europeia destinado a apoiar acções que contribuam para o desenvolvimento integrado entre regiões fronteiriças.

Agora, trabalhamos na realização de duas iniciativas de carácter económico para fomentar a cooperação entre as regiões Norte e Centro de Portugal e Castilla y León (Projecto “Cooperación Empresarial Beira Interior Norte Salamanca”, COEMBESA-NORTE). Concretamente, trata-se de facultar às empresas o conhecimento da realidade empresarial assim como promover e desenvolver contactos e acções entre empresas em ambas as regiões. Definitivamente, trata-se de criar um instrumento com o qual os empresários de ambos os lados da fronteira possam obter toda a informação e todo o apoio necessário para que a cooperação entre eles possa tornar-se uma realidade.

Desta maneira, estamos desenvolvendo um projecto universitário baseado na criação de um espaço a este nível entre o Norte Luso e a Comunidade Castelhano-leonesa (Projecto “Espacio Universitario de Cooperación Tranafronteriza”, EUCYL-NORTE). Pretende-se, nos seus objectivos mais relevantes, o reconhecimento mútuo de diplomas e títulos, quer seja na forma de mestrado quer na de cursos de doutoramento, o fomento do ensino do castelhano e do português, a formação de grupos de trabalho hispano-portugueses nas áreas de infra-estruturas, meio-ambiente, cooperação empresarial, cultura e turismo e universidades, assim como a realização de um Foro Transfronteiriço de Universitários.

Q: Dado o trabalho desenvolvido com o Douro, diga qual é a sua visão sobre o seu potencial turístico-cultural.

R: Espanha e Portugal conservam uma rica herança cultural que deve ser um ponto de referência importante para intensificar a identidade de cada um deles e, ao mesmo tempo, para reforçar os laços comuns com os quais ambos contam. Neste sentido, o Douro é, sem dúvida, um eixo básico de união entre os dois e, por outro lado, o seu potencial turístico e cultural é inquestionável. A acção basilar sobre a qual devemos incidir é pôr em relevo essa grande riqueza e aglutinar todo o Vale do Douro em torno de uma ideia de qualidade, cultura e progresso; a ideia do Douro como ideia de património natural e histórico, ideia de singularidade e imagem representativa no âmbito mais vasto das relações entre Portugal e Espanha.

Q: Como surge o apoio da Fundação à PROGESTUR e em concreto ao projecto MÁSCARA IBÉRICA.

R: A Fundação Rei Afonso Henriques vem trabalhando há quase doze anos em temas de cooperação transfronteiriça hispano-portuguesa e este trabalho permitiu-nos comprovar que o âmbito cultural é um dos eixos fundamentais de actuação. São muitos os elementos comuns que Espanha e Portugal partilham e que devemos potenciar. Esse trabalho conjunto permitirá dar uma maior força em benefício da promoção do vasto património cultural comum. É por este motivo que a Fundação sempre se mantém atenta e aberta a qualquer projecto que favoreça as potencialidades e valores do seu território de actuação. A promoção de iniciativas como a da “Máscara Ibérica” permite destacar e divulgar importantes e interessantes valores da enorme riqueza patrimonial e cultural da Península Ibérica. Isto, por sua vez, resultará numa dinamização turística importante baseada na difusão do nosso folclore e das nossas tradições, como sinal e símbolo indiscutível da grande herança etnográfica que possuímos.
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