Entrevista com a Ministra da Cultura, Profª Dra. Isabel Pires de Lima
Por André Lopes

Q: Tivemos a Honra da presença da Senhora Ministra da Cultura na apresentação de alguns projectos de turismo cultural da Progestur. Como vê esta relação entre o Turismo e a Cultura?

R: A Cultura constitui hoje um contributo precioso e imprescindível para a criação de atractividade turística e consequentemente, também por esta via, para o desenvolvimento económico do País. Se o turismo é inquestionavelmente uma das nossas maiores fontes de riqueza, inquestionável é também que a Cultura constitui uma das suas mais fortes vertentes. O turismo cultural é hoje uma valência intrínseca ao turismo de qualidade que queremos ter e que estamos a promover em Portugal.

Q: Acha que as Associações como a nossa dão um bom contributo a este domínio? Que terão lugar e interesse, entre os grandes projectos culturais que se desenvolvem?

R: Considero de extrema relevância o papel desempenhado por associações com o perfil da Progestur, que se dedicam ao desenvolvimento de projectos na área do turismo cultural, contribuindo assim para a divulgação da identidade cultural portuguesa, em Portugal e no estrangeiro. São iniciativas como esta que reflectem, precisamente, o empenho e o dinamismo da sociedade civil na defesa de um Património que nos diferencia e que é de todos e de cada um de nós: o Património Cultural. A Cultura – tenho vindo a afirmá-lo repetidamente – é um sector que a todos nós nos responsabiliza – Estado, empresas, associações, cidadãos – na justa proporção em que nos privilegia.

Q: Por último, quer partilhar connosco a sua visão sobre a Cultura Tradicional Portuguesa nos próximos anos?

R: Portugal é um País extraordinariamente rico em manifestações culturais no domínio do chamado “Património Imaterial”, o que se explica, em grande medida, pela nossa História secular, tecida de contactos e influências diversas. Creio que existe hoje, a nível mundial, uma maior e mais generalizada percepção sobre a importância das Culturas Tradicionais enquanto elementos identitários de uma determinada Comunidade. As pessoas estão mais atentas e mais motivadas para a necessidade de preservar, valorizar e divulgar o seu património feito de Tradições cujas origens, tantas vezes, se perdem no tempo. Repare-se, por exemplo, no grande enfoque que uma organização como a UNESCO tem vindo atribuir ao Património Imaterial. Não é por acaso. É porque se entende que, num mundo globalizado, as práticas Culturais ganham dimensão crescente enquanto elementos diferenciadores, conferindo personalidade própria a cada região, a cada comunidade.
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