Editorial


Esta edição procura sensibilizar para a oportunidade que a época do Carnaval constitui para a partida à descoberta das tradições portuguesas.

Neste curto período de férias que anunciam o regresso do clima mais ameno, propomos alguns dos mais característicos Carnavais portugueses, que são experiências únicas para quem visita.

Momentos de emoções fortes e de contacto com o que de mais genuíno a nossa cultura preserva.

Tivemos ainda a preocupação de lhe apresentar a perspectiva turística do evento cultural, através da envolvente em locais de interesse, o património cultural, sugestões gastronómicas e os vinhos, locais onde dormir e tantos outros elementos complementares.

Estamos certos que fará uma escolha acertada.

 


      Carnaval

Tradição e simbolismo

O Carnaval dos nossos dias, urbano ou rural, remontará, na sua origem, às antigas festas da Natureza, de fundo agrário. As Saturnais romanas e as Lupercais celebradas em honra de Pan, o deus dos rebanhos. A expressão popular “é Carnaval, ninguém leva a mal” encontra o seu fundamenta nos rituais licenciosos próprios destas festividades, uma licenciosidade socialmente consentida que, a par de outros rituais de carácter expurgatório, constitui ainda hoje a sua principal característica.

Podemos afirmar que na origem do Carnaval radica uma série de elementos e ritos religiosos das antigas sociedades grega e romana. Por outro lado, já na época medieval, a Igreja assume estas celebrações conferindo-lhes um novo significado: a preparação para o longo período de jejum que são os quarenta dias da Quaresma. Daqui, o uso indistinto dos termos carnaval , do latim carne, vale , isto é, adeus, carne e entrudo, introitu , entrada. Que é como quem diz, adeus, carne que vamos dar entrada na Quaresma.

O carácter licencioso radicará nas antigas festas Lupercais, celebradas na antiga Roma em meados de Fevereiro e que se expandiram um pouco por todo o Império, em honra do deus Pan, protector dos pastores e dos rebanhos. Mais do que em qualquer outra festa, eram permitidos aos foliões todos os excessos no uso e abuso da comida e da bebida e na fuga às normas moralmente instituídas. As anomias eram praticadas e assumidas pelos próprios sacerdotes, constituindo verdadeiros rituais de simulação do acto sexual e de apelo à fecundidade. O momento do ciclo agrário era propício à celebração destes rituais: a aproximação da entrada da Primavera considerada como o momento do rejuvenescimento da Natureza.

Os rituais expurgatórios destinavam-se à purificação e expurgação dos males sociais, moléstias, maus presságios e augúrios nas pessoas e nas comunidades. São exemplos destes rituais a destruição pelo fogo de figuras alusivas ao passado (tudo o que é velho), o julgamento e queima do Entrudo, do Velho e de outras figuras míticas, em cerimónia pública, o castigo que os mascarados infligem às mulheres que se atrevem, nesse dia, a sair à rua, as frenéticas “chocalhadas” e correrias, a crítica social expressa na encenação dos “casamentos” burlescos e ridicularizantes dos jovens “casadoiros”… rituais expurgatórios deste momento de passagem que é o fim do Inverno e a entrada na Primavera que vigoram aqui e ali, um pouco por todo o lado.

Apesar da “cristianização” que todas estas práticas sofreram ao longo de cerca de dois mil anos, podemos entender ser ainda hoje esse mesmo o sentido, ainda que inconscientemente, a dar aos rituais carnavalescos. Desenrolados no Domingo Gordo, Carnaval e Quarta-feira de Cinzas.

A função das máscaras

O mascarado assume hoje funções meramente profanas, bem distintas das que estão na origem do seu aparecimento. Com excepção da máscara grega usada nas representações teatrais para conferir uma certa personalidade às diferentes personagens, bem como a do género dramático commedia dell'arte , a máscara na Antiguidade surge como adereço imprescindível ao exercício de actos mágicos e socialmente aceite como tal: rituais sagrados de ligação entre os vivos e os mortos, entre o homem e adivindade, rituais profilácticos e propiciatórios e rituais de iniciação.

É neste contexto que aparece a máscara de Carnaval. Qualquer momento de passagem é crítico para a comunidade que o vive. O Carnaval situa-se no momento de passagem do Inverno para a Primavera ou de um ano a outro (segundo a antigo calendário gregoriano, o ano começava em Março). Logo, o Carnaval corresponde a um momento crítico para as sociedades agrárias. A presença do mascarado justifica-se assim e a sua acção relaciona-se com a preparação para essa passagem, através do desempenho das suas funções sagradas que hoje se revestem de características meramente profanas. Por isso, o mascarado activo transforma-se num ser superior. Gozando de uma força e liberdade sem paralelo. Coloca-se acima de toda a norma e, como se de um ente sagrado se tratasse, mas possuído pelo diabo, se liberta de todos os entraves e dá largas às suas faculdades de destruir e castigar, de troçar e criticar, de dançar e gritar a seu bel-prazer.

Dr. A. Pinelo Tiza

 

            Destaque

            Entrudo de Lazarim

O Testamento das Comadres

Lazarim, Lamego, Viseu

A aldeia de Lazarim, situada na região Douro Sul, festeja o Entrudo entre comadres e compadres que envergam máscaras artesanais que permitem libertar a devassidão das mentes dos populares sem revelar o rosto dos seus autores, ganhando a identidade de Careto.

As máscaras feitas de madeira de amieiro pelos artesões locais anunciam o ritual que dá início ao ciclo de festividades que começam algumas semanas antes da Terça-feira Gorda de Carnaval. São feitos os peditórios para construir os “compadres” e preparam-se as deixas do testamento.

Chega-se ao dia em que culminam todos os preparativos e as ruas de Lazarim transformam-se. As paredes de granito gritam o som folião dos caretos que fazem a leitura do testamento, que expõe os defeitos dos rapazes e raparigas, visitam as mulheres que cozinham um manjar colectivo e animam as brincadeiras das crianças.

O compadre e a comadre, os dois de sexo masculino, lideram o cortejo, que alimenta a rivalidade entre sexos, que travam esse ajuste de contas através de tiradas picantes.

O ritual chega ao fim quando o testamenteiro anuncia a morte do compadre e da comadre, sendo estes substituídos por bonecos que são pendurados em troncos de pinheiro. Pega-se fogo aos bonecos e estes acabam por arrebentar diante do tumulto geral.

A festa não acaba porque ainda resta a feijoada de porco, o caldo de farinha e o vinho.

 

 


Entrevista

Engº Francisco Lopes Presidente da Câmara Municipal de Lamego

   

1. Como se posiciona o concelho de Lamego no turismo cultural? O que diria a um turista para o convencer a visitar este destino?

Lamego detém uma posição de grande relevo no que respeita ao Turismo Cultural, seja no mercado interno, seja no mercado externo de turismo emissor. São muitos e substanciais os recursos turísticos que se transformam em motivações de férias e fazem da cidade de Lamego e da sua região do Douro um “ Destino Turístico “ de eleição. Vem da Antiguidade o reconhecimento de Lamego como cidade importante. Estrabão atribuiu a sua fundação ao povo Lacão ( 500 anos A.C. ) e Ptolomeu, no séc.II da nossa era, já dela fazia menção. Muito disputada pelas suas riquezas naturais foi povoada por inúmeros povos.O Imperador Romano Trajano destruiu-a para , mais tarde, a reerguer.Ascendeu a sede de bispado no ano de 572 e, neste tempo, o rei visigótico Sisebuto cunha moeda em Lamego. Nos nossos dias assume-se, naturalmente, como autêntica matriz Histórica, Cultural e Turística do DOURO – PATRIMÓNIO MUNDIAL.

A testemunhar toda a riquíssima história de Lamego estão os MONUMENTOS e ACHADOS ARQUEOLÓGICOS de todas as épocas que são, desde logo, uma das maiores motivações para quem visita a cidade.A Capela de Balsemão ( séc.VII ), A Sé Catedral ( séc.XII ), o Castelo ( séc.XII ), a Igreja de Almacave ( séc.XII ), O Museu de Lamego ( séc.XVIII ), o Mosteiro das Chagas ( séc.XVI ), O Convento de Santa Cruz ( séc.XVI ), a Capela do Desterro ( séc.XVII ), a Capela quinhentista de Nª Sª da Esperança, a Capela do Espírito Santo ( séc.XVI ), a capela de Nª Sª dos Meninos ( séc.XVI ), o Cruzeiro dos Terramotos e Perseguidos ( séc.XVIII ) e o Santuário e Escadório de Nª Sª dos Remédios, verdadeiro ex-libris e imagem de de marca de Lamego, são as relíquias que nos domínios ARTÍSTICO e HISTÓRICO importa considerar e que fazem de Lamego a cidade portuguesa com maior densidade de património classificado.

Com uma ligação umbilical ao Douro – a Região Demarcada de Vinhos mais antiga do mundo, criada em 1756 pelo Marquês de Pombal – Lamego faz também valer as potencialidades, por vezes imcomparáveis, desta região onde se produz o mundialmente famoso VINHO do PORTO, conhecido a partir do séc.XVI como “ Vinho cheirante de Lamego “. Os vinhos de mesa e generosos e, ainda os espumantes RAPOSEIRA e MURGANHEIRA de qualidade ímpar, a faina tradicional das VINDIMAS, com festival e programa próprio, as QUINTAS TRADICIONAIS vocacionadas para o turismo, o “Excesso da natureza “ da paisagem Duriense ( segundo Miguel Torga ) são outros apetecíveis e enriquecedores motivos para uma viagem à região.

OS CRUZEIROS FLUVIAIS juntam-se, também, como recurso turístico de grande procura que se completa com o prazer de uma viagem no Comboio Histórico a vapor.

AS FESTAS, FEIRAS E ROMARIAS são também um recurso de grande potencial que dão côr e animação e fazem ressaltar a alegria, usos e a riqueza dos costumes das nossas hospitaleiras gentes para quem são sempre benvindos os que nos honram com a sua visita.As Festas em honra de Nª Sª dos Remédios, também e muito justamente, conhecidas como A ROMARIA DE PORTUGAL, constituem o grande cartaz turístico da cidade e são o melhor exemplo de festa popular e tradicional que, um pouco por toda a região, se organiza.As FEIRAS têm, também, uma tradição de séculos, com destaque para a Feira de Sta Cruz, as Feiras Francas das Festas dos Remédios, e as feiras anuais de Sto Estêvão( 26 DEZ ) e o 3 de Maio ( Feira de gado, que inclui corridas de cavalos e onde aparecem as primeiras cerejas da Penajóia ).

A GASTRONOMIA de Lamego é, por demais, conhecida e apreciada. Quem não ouviu falar ou provou já o PRESUNTO DE LAMEGO? O cabrito assado em forno de lenha, as trutas recheadas com presunto, os milhos com carne de porco, o pé de porco com feijocas, os pratos de caça e os peixinhos do rio fritos ou de escabeche fazem a delícia do gastrónomo que aqui vem encontrar uma cozinha de sabores e aromas mediterrânicos. A doçaria conventual ( segundo receitas das Clarissas do Mosteiro das Chagas ), o Biscoito da Teixeira e o Biscoito Rijo completam o cardápio.

O ARTESANATO do concelho de Lamego apresenta uma variedade muito interessante com forte ligação aos afazeres e produtos da terra e do rio. As meias, gorros e mantas de lã, as “croças” e vestuário em burel, as cestas brezas, mantas de farrapos e socos de pau ( zona de montanha ) e a tanoaria e cestaria ( zona ribeirinha com ligação ao vinho ) são as peças que melhor representam as artes e ofícios do concelho e região.Neste sector as máscaras de Carnaval de Lazarim tem um lugar à parte pela sua ligação a um dos mais genuínos Entrudos.

2. Considera o Entrudo de Lazarim uma tradição importante do concelho?

O entrudo de Lazarim é uma tradiçao muito importante para a afirmação cultural do Concelho de Lamego, por três motivos distintos:

em primeiro lugar porque é uma tradição de grande autenticidade e espontâneidade, sendo fácil de preservar e até de enriquecer porque está fortemente arreigada e viva nos hábitos da população. Em segundo lugar porque apesar de ser uma tradição muito antiga e por isso já quase única, tem vindo a evoluir e modernizar-se incorporando nomeadamente a criatividade de artesãos locais que produzem as famosas mascaras de Lazarim, quew começam a ser conhecidas em Portugal e até no estrangeiro. E em terceiro lugar, porque sendo o concelho de Lamego e o Douro em geral um destino turistico condicionado por uma enoreme sazonalidade que tem o seu ponto alto no verão, é extrememente importante promover os eventos e festividades de inverno, como o Entrudo, a Queima do Judas e a Semana Santa, que podem trazer milhares de turistas a Lamego nesta épocas.

3. O que esperar da edição de 2006 do Entrudo de Lazarim?

Espero que a edição de 2006 do entrudo de Lazarim, com o empenhamento e investimento que lhe estão a ser afectados pela Câmara Municipal, pela Junta de Freguesia e com o apoio da progestur e demais entidades envolvidas, possa de facto passar a ser um cartaz turistico de excelência deste concelho. Para isso contamos que sejam introduzidas outras valencias de interesse turistico que passam pela disponibilização de gastronomia tradicional da época e pela venda do artesanato local, criando assim, sem desvirtuar a tradição nem a identidade deste evento, um novo produto turistico.

4. Que prevê para o desenvolvimento turístico do concelho de Lamego?

Com tantas potencialidades, o desenvolvimento turístico de Lamego é de grande esperança e optimismo. É intenção do actual executivo investir fortemente, neste sector estratégico, porque fonte geradora de riqueza e emprego que muito ajudará ao desenvolvimento do concelho e região com natural reflexo na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes. Do lado do governo são públicas as afirmações do S.E. do Turismo que colocam o Douro como um dos três “ destinos Turísticos “ portugueses a privilegiar, em termos de divulgação e investimento. No sector privado, estamos a acompamhar e a apoiar as intenções de investimento, alguns deles em execução ( Pousada de Vale Abraão ), e outros em vias de arranque que nos permite pensar , com optimismo, num efectivo desenvolvimento turístico do concelho de Lamego.

 


      Programa

 


Destinos turísticos

O que nos oferece Lazarim

O Entrudo de Lazarim identifica-se enquanto manifestação única de encenações ancestrais da cultura Portuguesa, surgindo ao mesmo tempo como forma de exorcizar a vida do quotidiano.

A Aldeia de Lazarim situa-se na Beira Alta, próxima do Rio Douro, Distrito de Viseu, Concelho de Lamego.

 

Lazarim

Lazarim

 

Privilegiando aquilo que as terras beirãs proporcionam, esta localidade dedica-se principalmente às actividades agrícolas, sendo de destacar a produção frutícola.

Para quem pretenda visitar a região envolvente, encontrará diversos monumentos e sítios de manifesto interesse histórico, como são exemplo a capela de São Pedro de Balsemão, na Freguesia da Sé, Lamego – raro exemplar arquitectónico da época visigótica – ou o Mosteiro de São João de Tarouca, um dos primeiros exemplos da Ordem de Cister em Portugal.

A região de Lamego, Lazarim, tem ainda para oferece aos seus visitantes uma rica gastronomia onde se pode destacar o Cabrito Assado, o Caldo de Castanhas, ou, para sobremesa, as Trouxas de Varosa ou o Doce de Castanha, sempre bem regada com os reconhecidos vinhos do Douro.

 

Capela de Balsemão

Ponte de Ucanha

 

 

Quinta do Terreiro

Na Quinta do Terreiro

Logo após o primeiro embate, e sempre que penso nuns merecidos dias de descanso, a “Quinta do Terreiro” passou a fazer parte do meu imaginário. Em Lalim, perto de Lamego, este local é rodeado por focos de grande interesse histórico e cultura.

Nesta casa do século XVIII encontramos um ambiente marcadamente familiar. Desde o relacionamento dos proprietários, ao cheiro quente das lareiras, os doces e compotas do pequeno-almoço e o sabor característico das maçãs bravo de esmolfe em cima da mesa da cozinha, tudo nos transporta para os recantos de uma confortável residência.

Este turismo de habitação conta com 10 quarto, incluindo uma suite, e tem a particularidade de todos eles terem sido denominados com personalidades ligadas à região Douro. Podemos desfrutar de um bar com snooker , uma requintada adega, e salas de leitura, onde podemos encontrar diversos trabalhos focando a região de Lamego.

No exterior, temos a piscina, campos de ténis e um jardim especialmente preparado para piqueniques. Aproveite e saboreie a água do tanque do jardim, mais fresca dificilmente vai encontrar.

Se apetecer jantar, peça à Patrícia que lhe prepare um bacalhau assado ou uma carne da região. Acompanhe com um vinho do Douro ou Dão e no final, delicie-se com o leite-creme da casa. Acredite que não se vai arrepender.

Caso decida aproveitar a dormida na Quinta do Terreiro, refira a Progestur e desfrute de um desconto de 10%.

 

 


      Carnavais Portugueses

Caretos de Podence - Macedo de Cavaleiros

Numa verdejante paisagem transmontana, Podence apresenta os reis do seu Carnaval, os Caretos. Jovens solteiros vestem máscaras rudimentares em lata pintada, de nariz pontiagudo, e mantas de cores fortes, saltam os vermelhos, os amarelos e os verdes.

A sua presença nas ruas faz-se notar pelo barulho dos chocalhos e campainhas que se encontram presos à cintura.

Na terça-feira de Carnaval juntam-se aos Caretos as “matrafonas” e os “madamos”, homens vestidos de mulher, que alegram todos aqueles que enchem as ruas da aldeia. A presença dos Facanitos é indispensável, que aprendem em tenra idade a tradição carnavalesca dos rapazes mais velhos.

festa anima-se e as jovens mulheres fogem dos Caretos que com elas querem “chocalhar”, mesmo que para isso tenham que subir varandas. Com danças, petiscos e copos se inventam casamentos e se soltam até os espíritos mais reprimidos.

Designação – Caretos de Podence

Local – Podence, Macedo dos Cavaleiros

Data – 26 a 28 de Fevereiro

 

Dança Grande - Cabanas de Viriato

Já ouviu falar de Cabanas de Viriato? E do Carnaval que por lá se brinca?

Situada entre as Serras da Estrela e a do Caramulo, esta vila celebra o Carnaval com uma folia original, a “Dança do Cu” (ou para os mais conservadores, “Dança-Grande”).

Mas não pense que este é o único motivo para assistir ao Carnaval nesta acolhedora localidade Beirã, com quinze dias de antecedência ouvem-se as “zambombadas”, sessões noctívagas de barulhentos bombos que anunciam a chegada das tradições carnavalescas.

E eles vestem-se delas e elas, elas usam bigode; não faltam o Rei e a Rainha, os bailes animados, as cores fortes e as sátiras espirituosas do nosso povo português. Gigantones, mascarados mais ou menos modestos, foliões disfarçados lá vão desfilando pelas ruas espetando os traseiros nestas alegres brincadeiras.

Mais detalhes? Fica o desafio, neste Carnaval deixe-se invadir pelo ritmo, som e cor de Cabanas de Viriato.

Designação – Carnaval de Cabanas de Viriato

Local – Cabanas de Viriato, Carregal do Sal

Data – 25 a 28 de Fevereiro

 

Pai Velho - Lindoso

 

Nas margens do rio Lima, sobre refúgio da Serra Amarela e da Serra do Cabril, o Pai Velho é rei até o Carnaval bater à porta.

Comemora-se a chegada da Primavera com o apagar do passado e o soltar dos espíritos mais inquietos. Do castelo parte o carro ornamentado do Pai Velho, seguido do carro das Ervas que espalha a folia primaveril pelos caminhos de Lindoso, chamando à festa os residentes das casas de granito que desenham o cenário.

Durante três dias dança-se ao som dos bombos, ferrinhos e castanholas, confraterniza-se com “almas do outro mundo” e renova-se o ciclo com a ajuda das vassouras de giesta dos “varredouros”. A gastronomia, a música e o património local acentuam a diversão que reina no Carnaval.

Chega a hora da despedida e o Pai Velho recebe elogios através de tristes gemidos que anunciam o fim da figura na fogueira. Salva-se a cabeça que irá ser guardada até ao ano seguinte.

Designação – Entrudo de Lindoso

Local – Lindoso, Ponte de Barca

Data – 25 a 28 de Fevereiro

 

A Caserna e os Cardadores - Vale de Ílhavo

 

Com o cheiro do mar se anuncia mais um Carnaval no Vale de Ílhavo. Todos saem à rua: mulheres que se protegem nas ombreiras das portas, homens mais velhos que ocupam posições nos cruzamentos e os mais pequenos que correm rua abaixo apregoando a diversão que se espera.

Secretamente, num palheiro, homens mascaram-se com lingerie feminina, prendem à cintura guizos, vestem xailes bordados e perfumam-se de uma essência doce, Tabu . Máscaras coloridas e atrevidas escondem os rostos daqueles homens que aprendem rituais e regras de integração na cardação. Aqueles demónios provocadores invadem todos os caminhos que se direccionam à rua principal. Os cardadores saltam, urram e envolvem-se em jogos de sedução com as raparigas solteiras.

Toda a animação é regada por bailes, muito vinho e alegria. No fim, os mascarados integram-se na comunidade e festejam junto de todos.

Designação – Entrudo de Ílhavo

local – Vale de Ílhavo, Ílhavo

Data – 26 a 28 de Fevereiro

 

Dia dos Diabos - Vinhais

 

Em Vinhais, em dia de Quarta-Feira de Cinzas, um grupo de rapazes transformam-se em verdadeiros diabos. O traje vermelho com máscara incluída dão o ar atrevido e assustador necessário à credebilidade destas personagens possessas. Eles correm pelas ruas a perseguir quem se cruza com eles.

Os diabos, acompanhados por outra figura mascarada, a Morte, escolhem como vitimas preferidas as mulheres e raparigas que chegam a ser agarradas, se necessário dentro da casa das próprias, a fim das vergastar com um chicote de corda.

A Morte, com o seu fato negro e de rosto mascarrado segura uma gadanha na mão, vagueia em silêncio pelos caminhos de Vinhais e sempre que encontra um habitante obriga-o a ajoelhar-se perante si e a beijar a gadanha.

É uma tradição que tem sofrido o passar dos anos e tem demostrado um carácter mais controlado e de maneiras mais correctas, e o ritual de punição e correrias já não é tão temido como antes. Os assaltos, as perseguições e os açoites animavam e caracterizavam o ritual animalesco e desinibido.

Designação - Dia dos Diabos

Local - Vinhais

Data - 1 de Março

 

ficha técnica:

número: Especial Carnaval 2006
coordenador: Manuel Canal
editorial: Manuel Canal
textos: Dr. Pinale Tisa, Beatriz Cordeiro, Hélder Ferreira
webdesign: Álvaro Martins, André Lopes
fotografia: Hélder Ferreira

contactos:

telefone: 217 599 141
e-mail: geral@progestur.net

Progestur - Associação para a Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo Cultural Português
Rua André Gouveia, Lote A, Sala D, 1750-027 Lisboa
Telefone/Fax : 217 599 141 e-mail: geral@progestur.net site: http://www.progestur.net

 

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